O Correio da Raposa
Uma história ilustrada de Moonbridge · Infantil · Anime · Livre · inglês, turco, alemão, espanhol, português, francês, indonésio, chinês, japonês, coreano
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Um garoto entediado da cidade passa o verão entregando cartas nunca enviadas para um velho espírito de raposa, até que uma delas acaba sendo sua.
Haruto, de doze anos, tem que passar o verão na casa da avó em Kirikawa, uma cidade nas montanhas cheia de cigarras e sem sinal de celular. Atrás do santuário, uma caixa de correio vermelha coberta de musgo o leva à agência secreta de Kogane, um velho espírito de raposa que guarda todas as cartas que as pessoas escreveram, mas nunca enviaram. Haruto vira seu carteiro de verão. O pedido de desculpas de um filho chega ao pai, o agradecimento de uma menina chega à própria raposa, e a última carta de um avô tímido chega à vovó Fumiko na noite do festival das lanternas. Então chega uma carta amassada, escrita pela própria mão de Haruto. Ela é para o melhor amigo que ele magoou, e o caminho da raposa se abre para mais uma entrega.
Personagens
- Haruto (Carteiro de verão): Um garoto quieto de doze anos que se mudou de Osaka para Tóquio na primavera e está passando o verão na casa da avó.
- Kogane (Chefe do Correio da Raposa): Um velho e gentil espírito de raposa que há séculos comanda uma agência de correio secreta na floresta de cedros, entregando cartas escritas, mas nunca enviadas.
- Grandma Fumiko (Avó de Haruto): Uma senhora ativa e alegre de setenta e quatro anos que tem uma barraquinha de raspadinha em frente de casa e ainda sente falta do marido, Shigeru.
- Ren (Melhor amigo de Haruto): O melhor amigo de Haruto em Osaka. Um garoto barulhento e esportivo de doze anos que ficou magoado quando Haruto se mudou.
Episódio 1: A Caixa de Correio entre os Cedros
Entediado, Haruto encontra uma agência de correio secreta, comandada por um velho espírito de raposa. Sua primeira entrega reúne um pai e um filho.
Kirikawa. Uma cidade nas montanhas, com rios, arrozais e cigarras.
Grandma Fumiko: Haruto! Como você cresceu!
Haruto: Sem sinal. Quarenta dias sem nada.
Grandma Fumiko: Na floresta também não tem sinal. Vá explorar!
Atrás do velho santuário, a floresta estava muito quieta.
Haruto: Uma caixa de correio? Aqui no meio do nada?
Vuuush!
Haruto: Ei! Cartas não voam!
A carta o levou a um lugar que não aparecia em mapa algum.
Kogane: Oh! Uma visita! Cuidado com as cartas, elas são tímidas.
Haruto: Uma raposa... de óculos?
Kogane: São cartas que as pessoas escreveram, mas nunca enviaram.
Haruto: Por que guardá-las?
Kogane: Porque as palavras ainda esperam.
Kogane: Meus velhos joelhos não gostam de ladeiras. Pode entregar as cartas?
Haruto: Tá bom. Não tenho mais nada pra fazer mesmo.
Haruto: Uma carta para o senhor. De... Daichi?
A carta tinha trinta anos. Era de seu filho.
Naquela noite, o senhor Okada ligou para o filho. Depois de trinta anos.
Haruto: Cartas que a gente nunca envia... Eu tenho uma dessas.
Episódio 2: À Raposa que Me Acompanhou até Casa
Uma carta sem endereço acaba sendo para o próprio Kogane. Uma velha raposa e uma senhora finalmente se cumprimentam.
Duas semanas depois, Haruto vinha toda manhã, com chuva ou sol.
Kogane: Bom dia, carteiro! O chá está pronto.
Haruto: “Para a raposa que me acompanhou até em casa.” Só diz isso.
Kogane: Oh... céus. Essa carta é para mim.
Setenta invernos atrás, uma menina se perdeu na neve.
Kogane: Só caminhei à frente dela com minha luz.
Kogane: Chefes de correio entregam cartas. Nunca recebem.
Haruto: Hoje recebeu. Abra!
“Querida raposa, não tenho mais medo da floresta. Obrigada.”
Haruto: “Chiyo, seis anos”... A dona Chiyo da cidade?
Haruto: Ela deixa bolinhos de arroz no santuário toda manhã!
Kogane: Ela ainda vem. Depois de tantos anos.
Setenta anos depois, enfim se cumprimentaram.
Kogane: Minha primeira carta em oitocentos anos. Obrigado.
Haruto: Setenta anos é tempo demais pra esperar. Né, Ren?
Episódio 3: A Carta do Vovô
Na noite do festival das lanternas, Haruto entrega uma carta que seu falecido avô escreveu, mas teve vergonha de entregar. Depois, descobre que sua própria carta sumiu.
Kogane: Haruto... a carta de hoje é para sua avó.
Haruto: Pra vovó? De quem?
Haruto: É a letra do vovô. Ele morreu há dois anos.
Kogane: Ele escreveu para as bodas de ouro deles.
Kogane: Mas ficou com vergonha e a escondeu na caixa de pesca.
Grandma Fumiko: Você está quieto hoje. Mais que de costume!
Haruto: Como vou entregar isso a ela?
Obon. A noite em que as famílias lembram de quem deixou saudade.
Haruto: Vó, tenho uma entrega pra você.
Grandma Fumiko: ...Shigeru?
“Fumiko, não sei dizer essas coisas. Obrigado por cinquenta anos.”
Grandma Fumiko: Aquele velho tímido! Podia ter me dito!
Grandma Fumiko: Mas eu sabia. Sempre soube.
Grandma Fumiko: Palavras guardadas por muito tempo ficam pesadas, Haruto.
Grandma Fumiko: Não carregue as suas por cinquenta anos.
Haruto: Minha carta pro Ren... sumiu!
Lá fora, uma pequena chama azul tremeluziu.
Episódio 4: A Carta que Haruto Nunca Enviou
A carta que Haruto nunca enviou chega ao correio, e Kogane abre o caminho da raposa para que ele mesmo possa entregá-la a Ren.
Kogane: Chegou ontem à noite. Para Ren Ishida.
Haruto: É minha! Eu nunca quis mandar!
Kogane: Ninguém aqui quis mandar sua carta, Haruto.
Haruto: A gente brigou no dia da mudança.
Haruto: Disse que ele nunca foi meu amigo de verdade. Menti.
Kogane: Regra do correio: cada um leva sua própria carta.
Haruto: Mas Osaka fica a cinco horas daqui!
Vuuush!
Kogane: Não pelo caminho da raposa. Corra, carteiro!
Mil portais. Uma carta.
Haruto: Desta vez eu vou dizer.
Ren: Haruto?! Como você chegou aqui?
Haruto: Eu... peguei um atalho.
Haruto: Desculpa pelo que eu disse. Por favor, lê.
Ren: Você veio de tão longe por uma carta?
Ren: Eu também escrevi uma pra você. Nunca mandei.
Haruto: Então vamos trocar. Agora mesmo.
Haruto: Até o próximo verão, chefe dos correios!
Algumas cartas esperam anos. A dele só precisou de um verão.